quarta-feira, 19 de novembro de 2014


a música. as palavras. os gestos. o corpo. a alma. toda ela precisava dele, numa ânsia espontânea, apaixonante, intensa e desesperante. já quase nada soava verdadeiro, e se soava, havia sempre algo que não batia certo. por muitos beijos desenfreados, por muitos gritos entre quatro paredes e sussurros de madrugada, por muitos "amo-te" trocados, por muita suposta felicidade que sentissem, havia sempre algo que faltava. um tão cliché mas tão verdadeiro je ne sais quoi. porquê? pelo simples facto deles precisarem um do outro mais do que alguma vez poderiam sequer imaginar. por muito que nas suas mentes estivessem perfeitamente bem um sem o outro, uma parte deles contraía-se de dores pela falta do outro. uma parte deles que precisava do ar que só o outro podia dar. que se sentia vazio sem o brilho no olhar que o outro outrora lhe despontava. que necessitava do toque de uma só pessoa. que sentia que só um corpo merecia estar colado no seu, por muitos que pudessem proporcionar-lhe as noites mais loucas. ela ansiava por apenas mais um minuto com eleele aproveitava o seu mais recente amor, a sua mais recente conquista, felicidade. ele nunca lhe seria indiferente, e assustava-lhe saber que se algum dia lhe acontecesse alguma coisa e ela se esquecesse do seu próprio nome, provavelmente ainda se lembraria do nome dele. e isso punha a cabeça dela às voltas. pelo contrário, ele, se não se lembrasse do seu próprio nome, lembrar-se-ia do nome da conquista, apenas. porque é o seu presente. mesmo assim lembra-se dela de vez em quando e acredito que ela nunca lhe será indiferente, mas enquanto ela mesmo tentado, não consegue que o seu coração pertença a mais ninguém para além deleele pelo contrário, já a esqueceu há muito e apenas se lembra dela de madrugada, após uma noite quente, com a cabeça da conquista no seu peito e com o corpo entre os lençóis, num momento em que desejava, por um mísero segundo, que a pessoa que está a abraçar não fosse a sua mais recente conquista, mas sim a pessoa que o fez realmente feliz. que não fosse a pessoa que lhe cansava apenas o corpo, mas sim aquela que lhe levava o corpo, o coração e a alma à exaustão, mas que mesmo assim, era aquilo que ele (na altura) mais queria na sua vida, independentemente de tudo. talvez um dia. talvez um dia as coisas mudem. ou talvez não. não sei e neste momento, não me quero preocupar com isso. talvez um dia saiba. talvez.
"uma amizade para a vida e um amor em suspenso". 
desejo-te uma noite cheia de insónia cheia de lembranças minhas, amor.