Só poderia escrever para ti, quer quisesse quer
não. Por muito que a minha mente ou o meu coração, numa tentativa de fuga, te
tentassem tirar de mim e do que sou, haveria sempre algo teu nas minhas
palavras. Nos meus gestos. No meu olhar. Talvez porque haverá sempre algo teu
em mim. Nunca ninguém me olhou como tu. Nunca houve um outro sorriso que me
desse tanto a volta à cabeça, nem um olhar tão penetrante e inesquecível como o
teu. Desde o primeiro dia que os nossos corpos se cruzaram
naquela noite quente de verão, que as nossas almas se ligaram de uma forma
inexplicável. O teu olhar corrompeu-me o corpo e chegou-me à alma. E foi assim
todos os dias, até hoje, independentemente de tudo. Por isso, pensemos... como poderia não te escrever? És o tudo no meio do meu nada e o quase nada
no meio do meu quase tudo. Fazes-me tão bem e ao mesmo
tempo tão mal. És-me tanto. Quero afastar-te, mas há algo que não mo permite.
Afastar-te faz com que afaste do mundo uma parte de mim. E eu sei que nunca te
serei indiferente. Somos o Espelho um do outro, no fundo ambos o sabemos.
Sempre o fomos. E por muitas negas e costas voltadas, quando estamos juntos,
parece que o mundo pára. Nada mais existe, mais ninguém existe. Só Tu e Eu,
naquele terceiro espaço, naquele mundo paralelo. Mas depois, somos assombrados
com o Sopro gelado da realidade. Foram escolhas, prioridades. Magoa, muito, mas
não há nada que possa fazer, infelizmente. Sei que tão cedo Não te Vou
Esquecer, mas vou fazer de tudo para conseguir alcançar de facto a minha
felicidade, mesmo que tenha de ser sem ti. Porque mesmo que tenhas ido embora e
eu só queira correr para ti, num grito sufocado de "Volta, nunca quis que
tivesses ido embora", não posso contrariar as tuas escolhas. Tenho
simplesmente de tentar (e conseguir) seguir em frente. Porque, embora te tenha
perdido, nunca perderei quem sou na realidade. Isso é certo. Não Me Perco.
Foste a minha tarde na praia e a minha noite num bar ao balcão. Foste o meu
sorriso e as minhas lágrimas. Foste a minha água, o meu Café Curto e a minha
garrafa de vodka. Foste o branco, o rosa e o preto. Foste o tudo e o nada.
Tenho, ao menos, a certeza que o que nos uniu, nem que durante um abrir e
fechar de olhos, foi de facto sentido, foi de facto Verdadeiro. E nesta corda
bamba em que me deixaste, nesta Margem entre a razão e a emoção, neste oceano
de dúvidas, questiono todo este tempo que passou. Questiono o presente,
questiono o futuro. Entendo que estamos demasiado Longe, que estamos a errar ao
estar de costas voltadas. E tu, esconde-te atrás dessas ideias erradas de amor,
esconde-te atrás desse Falso Espelho que tens à frente, quando o verdadeiro
está apenas coberto com um pano. Longe da vista, longe do coração. E se alguma
vez tentares partir o espelho, o verdadeiro, não terás 7 anos de azar, mas sim
7 anos de lembranças minhas. Lembranças e arrependimentos. Por isso pensa, por favor.
Até Breve.
Que saudades das tuas palavras e da magia que com elas trazes... Fico à espera de mais, fico mesmo ;)
ResponderEliminarAs tuas palavras são amor, vida e talento... Adoro completamente o que escreves! Continua, um abraço e um beijo deste teu fã ��
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